Descrição
Artista: Virgilio Dias
Título: Rua Frei Caneca (RJ)
Técnica: Óleo Sobre Tela
Dimensões: 46 X 61 cm
Virgilio Dias
Biografia:
Virgílio Dias Filho (Rio de Janeiro, RJ, 1956), mais conhecido como Virgílio Dias, é um artista plástico brasileiro.
Em 1974, aos 16 anos, Virgílio sofreu um acidente de trem que o deixou sem o braço direito. Em uma nova realidade, se viu diante de um cenário desafiador. Teve que aprender a usar o braço esquerdo para se ajustar às demandas do dia a dia, foi quando descobriu na pintura, um meio de expressar seus sentimentos.
Na época, foi apresentado ao professor Antenor Finatti que ministrava aulas de pintura na Sociedade Brasileira de Belas Artes (SBBA) e passou quatro anos frequentando aulas no atelier e ao ar livre nos finais de semana.
Dedicado, estudou bastante sobre a história da pintura, onde se interessou pelo estilo Impressionista dos artistas franceses. Neste momento, Virgílio aprendeu a se colocar de uma maneira humilde diante da natureza e sempre consultá-la em meio a seu processo criativo.
Amante do Rio de Janeiro, em especial o Centro da cidade, Virgílio aprecia a cidade notando em seu olhar poético as ruas e construções antigas contrastando com edifícios modernos e o vaivém de pessoas, que dão um ritmo acelerado à região. Cenário perfeito para seu universo criativo que, segundo Virgílio “O meu ateliê é muito grande, é a rua, os lugares onde estou naquele momento”.
Pintor de campo, retrata suas inspirações através de pinceladas marcantes. Segundo o próprio artista, os lugares que frequenta, em especial o cenário praiano, como a Barra de Guaratiba, a pedra de Guaratiba, a Baía de Sepetiba, a beira-mar e pescadores, são a sua preferência na hora de criar uma nova pintura.
Realizou diversas exposições, principalmente nas galerias do Rio de Janeiro, e também ganhou vários prêmios, como a Medalha de Bronze, no S.B.B.A. – XIII Salão de Maio, em 1978; Medalha de Prata, no II Salão Nacional de Artes Plásticas ABD – ABI, em 1983; Prêmio Pintura Jovem, no Museu de Arte de São Paulo, em 1983; Medalha de ouro no 8º Encontro de Pintores na Sociedade Acadêmica Phoenix Naval, em 1987; Medalha de Ouro, no XI Salão Arquidiocese de Belas Artes, em 1987; Pequena Medalha de Ouro, no XII Salão Arquidiocesano de Belas Artes, em 1988; e Medalhas de Ouro e Prata no III Encontro de Pintura do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana, em 1989.
Texto de José Rosário:
Sempre vou encontrando pelo caminho, diversos artistas que acabo adotando como mestres. Profissionais que nos inspiram um estilo, às vezes vigoroso e inusitado, ou até mesmo que esmeram em temáticas já surradas, mas feitas com tanto capricho e zelo, que nos arrebatam voluntariosamente a segui-los. Há cerca de dois anos, adotei o Virgílio Dias como uma dessas referências. Interessante que temos muito pouco em comum no que se diz respeito ao estilo, mas há algo em seu trabalho que me é mais comum do que sei explicar. Uma sensação de que cada obra dele é parte de algo que gostaria de ter feito e que me faz tão bem.
Gosto imensamente de uma de suas frases: “O meu ateliê é muito grande, é a rua, os lugares onde estou naquele momento”. Talvez seja esse mesmo o quesito que tanto me atrai nesse artista carioca, é um dos últimos remanescentes verdadeiramente impressionistas, que gosta de pintar somente do natural, ou escolheu isso como sua principal atividade. Virgílio é, então, uma dessas figuras que nos remetem a uma época onde todo artista tem vontade de voltar um dia, caso isso seja possível.
Nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de dezembro de 1956 e adotou a cidade como o pano de fundo e tema principal de sua obra, embora já tenha corrido mundo em busca de outras composições. A pintura entrou em sua vida de uma maneira interessante: “Eu, que era destro, tive que aprender a usar o braço esquerdo, foi justamente aí que eu descobri a pintura. Fui apresentado ao professor Antenor Finatti que ministrava aulas de pintura na SBBA – foram quatro anos frequentando as aulas no atelier e ao ar livre nos fins de semana. Foi exatamente aí, em contato com a natureza e depois de ter lido bastante sobre a História da pintura e visto que os pintores sempre tiveram contato com o campo – sobretudo os pintores impressionistas franceses – que percebi o caminho que eu deveria tomar, ou seja, sempre me colocar de uma maneira humilde diante da natureza e sempre consultá-la, visto que ela é mestra de mestres”.
É um artista que tem uma visão do hoje, com as referências do passado, mas que sobretudo pratica uma das maiores qualidades necessárias a um artista: não se desvencilhar do caminho natural das coisas. A natureza, como guia, é indispensável para a elaboração e permanência em qualquer estilo.
Sua trajetória como artista ambulante, que ama principalmente a liberdade do executar sua obra, não se restringiu apenas ao Rio, também esteve em Paris, berço e referência maior à sua escolha, e passou também uma temporada em Portugal.
Deixo alguns trechos de depoimentos de outros artistas, sobre a obra e trajetória de Virgílio Dias. Vale a pena conferir esses depoimentos em sua íntegra, na página oficial do artista:
“Quando tudo parecia encerrado, quando diante da história o fluxo impressionista acenava para algo absolutamente sacramentado, eis que uma nova voz se levanta, altiva e insólita, rejuvenescida no fulgor e nos impulsos, na clara decisão de soerguer, revitalizar, instaurar um cântico ainda possível de expressar, consoante aos antigos e permanentes preceitos dos velhos mestres revolucionários do novecentos.
Há em Virgílio Dias uma sensação primordial de frescor, um fruir por incrível nunca habitado, uma busca dir-se-ia do sublime e do eterno, de ligar-se às imantações imaterializadas, intocadas dos registros humanos pela grande arte de dizer, pelas cores, no instante em que a paisagem se potencializa na possibilidade veemente de comover, de emocionar o observador pelos flancos da poesia” — Carlos Bracher
“Pintar quadros é uma coisa que qualquer pessoa dotada de alguma destreza pode realizar, porém, fazer com que esse quadro toque a sensibilidade de outra pessoa, fazendo-a desejar possui-lo para admira-lo em suas paredes é outra coisa. É arte. Tenho acompanhado a trajetória artística de Virgílio Dias há alguns anos e tenho notado sua evolução. Evolução aprimorada pelo talento, persistência e coragem, pois todos os seus quadros são realizados “in loco”, obrigando o artista a todo tipo de sorte” — Armando Romanelli
“Não o vejo (e nem sua pintura) engajado a “ismos”, mas na expressão que lhe dá a medida de sua humildade e também de sua grandeza com o sentimento de situação de mundo e do seu mundo, que o faz pintar formas e cores com dose generosa de maestria” — Manoel Costa
“Virgílio Dias pinta a superfície com segurança do conhecimento da base histórica da Arte. É um digno representante dessa evolução, dessa herança do “Pessoal de Montmartre”.
Sua bela superfície não é nada superficial, ela nos convida ao âmago das coisas” — José Benigno Ribeiro
Fonte: José Rosário, Virgílio Dias, publicado em 29 de novembro de 2012.





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